Pais & Filhos ou Orientadores & Orientandos?

· Mestrado, Portfólio, Sem. 1/2013
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De uns dias pra cá, desde meu último Portfólio talvez, quando disse que estava como os praticantes de slackline, precisando me equilibrar com as datas e compromissos para não me esborrachar no chão, comecei a reparar em minha relação com os meus orientadores para além do binômio “aluno-professor”.

Eu sempre tive uma relação de bons e maus momentos com minha mãe, pois não tive pai presente em grande parte da minha vida. E, ao longo desta convivência, como todo bom adolescente, sempre achei que eu sabia exatamente o que era e seria bom pra mim. Pensava achar que conhecia o melhor caminho a trilhar. Bobagem, não é?

Sempre acreditei que minha mãe pegava muito no meu pé, que me cobrava muito dizendo que eu poderia fazer melhor e mais, quando achava que eu já estava no topo ou quase lá e me punha a pensar se não era somente “pegação” no pé e “encheção” de saco.

Mas aí, com um pouco de raiva (uma boa raiva, digamos assim) me colocava a fazer as coisas pensando no que ela disse, falando pra mim mesmo: “a senhora quer que eu faça melhor? Ok! Agora irá ver o que é bom e quero ver se vai me mandar fazer de novo.

Não sou psicólogo para me auto-entender, mas, de certa forma, ter a atividade doméstica, designada por minha mãe, questionada, e sendo “solicitado” (estou colocando entre aspas, pois, mamãe não era tão cordial assim à época, um dia conto como era) a refazer tudo novamente, me motivava a mostrar que ela estava errada.

E de fato, na sequencia das coisas que fazia, ela achava bacana e elogiava. Por falar em elogio, quando isso acontecia, toda e qualquer raiva que sentia, ou eventualmente estava sentindo, simplesmente passava e me sentia a melhor pessoa do mundo, o trend-topic daquela atividade que havia feito, mesmo que sob protestos.

Muito bem, recordar esta relação, fez com que colocasse a posição de orientado na posição de filho e do meu orientador na posição de “pais”. Longe de querer comparar uma relação com a outra, mas, simploriamente, elas guardam alguma semelhança.

Claro que a forma como encaro a “pegação” no pé dos meus orientadores (e nem pegam tanto assim) é uma visão diferenciada de quando eu era adolescente. Entendo que é para o meu bem. Mas, ainda guardo um pouco daquele ranço de achar que sou bom. Não quero que entendam aqui que eu seja uma pessoa arrogante e vaidosa, por favor. O que quero dizer é que, quando uma tarefa é a mim atribuída por meus orientadores e eu a cumpro, sempre espero que, de primeira um elogio venha, mas, não tem sido assim.

Como todos sabem, estamos em vias de qualificação e estamos todos preparando os nossos projetos. Pois bem, comecei a fazer a introdução do meu trabalho, a escrever e escrever e escrever… Pensei, acho que já esta contemplando tudo o que preciso falar. Vou mandar para os meus orientadores.

Bom, faço uma pausa aqui para falar dos meus orientadores, sem nem mesmo tê-los comunicado de que faria isso, mas, vamos lá… (Guardem segredo!)

Envio sempre com cópia para os três, Noronha, Chico e Josué ou Chico, Josué e Noronha, ou ainda, Josué, Noronha e Chico. Sim… Não quero ter problemas com eles pensando que estou, com a ordem dos nomes, denotando graus de importância. Claro que isso é uma brincadeira, jamais pensariam isso.

Enfim, cada um deles tem um jeito muito peculiar e facilmente identificável nas respostas. Se estas repostas viessem sem assinatura, não teria problema algum para identificá-los. O Noronha, sempre muito direto e sem meias palavras. “Não está bom e precisa melhorar mais, vamos conversar.” Assim, secão, sem nem um rodeiozinho. Nem aplica uma anestesiasinha para fazer a incisão.

Já o Josué, começa assim. “Olha, todo o texto que começamos a escrever, em suas primeiras versões, sempre ficam como um Frankenstein, mas, a medida que vamos trabalhando neles, a tendência é que melhorem.”. Daí ele continua e diz: “Faça isso, isso, aquilo outro e mais um pouco disto.” Ou seja, refaça tudo o que fez, mas, agora deste jeito.

O Chico por sua vez, mais parece um tio coruja, sabem como é? Que não aguenta ver o sobrinho em dificuldade e faz tudo pra ajudar. Pois é, é bem assim. Depois que leu a minha introdução, me respondeu assim. “Oi Wisley. Olha, eu acho que ficou bom, mas, envio algumas sugestões para melhorar ainda mais.” Das três respostas é a que mais me deixa vaidoso. Isso até abrir o documento. Quando abro… affffff!!!! Não sei onde está o texto que escrevi, está tudo marcado de vermelho, partes tachadas, balõezinhos com sugestões e outras coisas mais. Praticamente mudou todo o meu texto. Aproveitou uma vírgula ou outra e deu outra cara pro documento.

Confesso que fico meio com raiva (uma raiva boazinha, já disse!). E como bom “orientando-filho”, refaço tudo pisando duro no chão e pensando: agora eles vão ver. Então, termino, leio umas 500 mil vezes pra não enviar com nenhum erro e enquanto trabalho em outras partes, fico naquela tortuosa espera para saber o que acharam.

Daí, como na relação de pais e filhos, vem o tão esperado elogio, comedido é claro para não empolgar demais. Aí o Noronha com toda aquela sisudez dele e monossilábico que é diz: “Parabéns, você melhorou bastante. Vamos conversar”. O Josué, “Legal, o texto ficou melhor e mais encorpado.” E o Chico, “Está bem melhor. Fico feliz que esteja conseguindo escrever e progredir no trabalho, é isso mesmo.”

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Fala sério, essas relações não são super parecidas? Às vezes achamos que pegam demais no pé da gente, que pedem mais do que pensamos que podemos fazer, que pedem demais, que exigem demais. Mas, no fundo, no fundo, sabem exatamente do que precisamos e, por incrível que pareça, mesmo não tendo uma convivência mais profunda, sabem reconhecer todo o potencial que temos, quais nossas deficiências e onde mais precisam agir e agem.

Nunca entendi o tanto que minha mãe pegava no meu pé, hoje eu entendo. Talvez não entenda o tanto que meus orientadores pegam no meu pé, mas, um dia vou entender. Mas, de antemão, já agradeço. Muito obrigado Orientadores! 

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