Slackline

· Mestrado, Portfólio, Sem. 1/2013
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              É muito engraçado o processo de escrever um texto de portfólio. Engraçado, quero dizer, no sentido de como é interessante, doloroso e no fim de tudo, satisfatório. Escrever um texto como este, denota descrever aquilo que foi feito, realizado e cumprido ao longo do tempo. E é justamente, nesta descrição, que a dificuldade reside. Temos, ou pelo menos tenho, não posso dizer pelos demais colegas, a impressão de que sabemos exatamente tudo aquilo que aconteceu, como aconteceu e o que precisa, ainda, ser feito para acontecer. Pois é, transcrever isso para o papel, pelo menos para mim, é uma dificuldade que vocês não fazem ideia. Mas, enfim, vou tentar fazer da forma mais simples, pragmática e objetiva possível, assim como uma receita de bolo. Vamos lá, então!

Sinto que agora, mais do nunca, o cerco está se fechando. Nos últimos dois semestres, me sentia meio que um aluno de graduação. Ir à faculdade, assistir às aulas das disciplinas matriculadas, estudar, ler os textos, discutí-los, fazer os trabalhos, apresentá-los e então ser avaliado pelo seu desempenho.

Os encontros com o orientador praticamente se davam na sala de aula, quando este era professor de alguma disciplina ou quando cruzávamos nos corredores do ICICT. Agora não! Tudo é diferente! O diálogo que antes era: como vai, tudo bem? E as disciplinas, está gostando? Está achando que elas estão lhe ajudando a pensar melhor sua dissertação? … Mudou para: você precisa escrever, você precisa escrever, quando me entregará sua introdução? Já reviu o método que lhe disse? Já leu os artigos que lhe falei para ler? Já os fichou? Que dia você os entrega para mim? Haja fôlego!

Enfim, os dias andam mais curtos do que o normal. Passam mais rápido do que precisaríamos que passassem. Administrar o tempo, associando o estudo dos materiais para desenvolver a dissertação e as atividades assumidas no Laboratório de Informação em Saúde – LIS, o qual meu orientador e co-orientador estão vinculados, é quase como praticar o Slackline. Para quem não sabe, é aquele esporte praticado sobre uma fita esticada na base de duas árvores fortes ou pedras, de forma que o praticante ande sobre esta fita com extremo equilíbrio. Segundo os seus praticantes, seu principal conceito é a tradução da sintonia entre a mente, o corpo e o equilíbrio. Conseguem perceber a semelhança? Lembrando que ela não é mera coincidência. Qualquer vacilo, caio da fita.

E é justamente por conta da tênue distância que existe entre se manter sobre a fita e esborrachar no chão, foi que o professor Barcellos, coordenador do LabGeo, Laboratório de Geoprocessamento em Saúde, que faz parte do LIS e que também estagio e colaboro no projeto do Atlas da Água, por conta da forte tendência que meu projeto tem em utilizar geoprocessamento, uma vez que meu alvo de análise é o acesso aos serviços de saúde nas regiões de saúde do Estado de Goiás, ou seja, haverá uma dimensão espacial e, nada melhor do que usar um SIG para ajudar nas análises, acabou me oferecendo para utilizar a sala 713 da Expansão da Fiocruz.

Esta oferta não poderia ter vindo em melhor hora. Nesta sala, tenho uma mesa, um super computador, um ar condicionado que deixa a sala com clima siberiano, paz e tranquilidade e o que é melhor, uma máquina de café expresso. Meu Deus, o que mais eu poderia querer? Não tenho desculpas e motivos plausíveis para que minha dissertação não seja desenvolvida com afinco, porquanto, disponho de todos os ingredientes necessários para isso. E “dale” café!

Assim, com este cenário todo e tentando manter o equilíbrio, poderei estudar o canadense Contandriopoulos e entendê-lo quando fala da importância da avaliação em saúde e sua institucionalização. Sim, eu entendi sua importância, mas aí, vem meu querido Jannuzzi e diz para o canadense: eu posso te ajudar! Para que você institucionalize a avaliação em saúde você precisa de marcadores, ou seja, indicadores de saúde. Disto eu entendo, pois, escrevi o livro, Indicadores Sociais no Brasil  – Conceitos, Fontes de Dados e Aplicações. Fortemente recomendável! O canadense ficou maluco dizendo: eu quero, eu quero, eu quero usar isso, venha aqui, vamos trabalhar nisso. E lá ficaram resenhando.

Foi nesse momento que passava por aquelas bandas o Vilaça e escutou a conversa dos dois. Pediu licença e disse: caríssimos, muito bacana essa parada de avaliação, indicadores e tudo mais, “maaaaas”, vocês estão se esquecendo que tudo isto precisa de um contexto, um local. E na saúde, aqui no Brasil, chamamos isto de Regiões de Saúde. Tenho um trabalho, Pacto de gestão: da municipalização autárquica à regionalização cooperativa, vai poder norteá-los em que local aplicar o trabalho de vocês para que eles tenham foco. E por lá ficou o bendito do Vilaça na resenha.

Enquanto o três conversavam e discutiam o trabalho, depararam-se com um problema. Eles perceberam que precisavam de uma metodologia que os auxiliassem a aplicar, no modelo de saúde brasileiro, a institucionalização da avaliação em saúde, nas Regiões de Saúde. Pensaram e disseram: e agora? Foi aí que me procuraram, me perguntando se não conhecia ninguém que pudesse lhes ajudar. Daí eu disse: olha, eu até poderia quebrar o galho de vocês, porquanto minha dissertação vislumbra isso tudo, entretanto, estou terminando meu mestrado e não vou ter muito tempo de ajudá-los, mas, vocês estão com sorte. Eu disse para que eles procurassem o Chico Viacava, meu co-orientador de mestrado, que junto com outros pesquisadores desenvolveram uma metodologia de avaliação do desempenho do sistema de saúde brasileiro chamado PRO-ADESS. Pronto! Ficaram todos amiguinhos do peito.

Enquanto isso na sala de justiça, opa, sala 713, voltei a estudar e dedicar-me às leituras, ao desenvolvimento da introdução do meu trabalho, da revisão de literatura e na adequação da metodologia do PRO-ADESS às região de saúde do Estado de Goiás, vislumbrando a análise do acesso, dos cidadãos goianos, aos serviços de saúde ofertados por aquele Estado e também à atualização do SIG Atlas da Água. Talvez, em um futuro próximo, possa ajudar essa galera e dar minha contribuição para o trabalho deles. Todavia, neste momento, minhas prioridades são outras. É uma pena! Por mim, faria tudo que chegasse até a mim. Mas, escolhas precisam ser feitas e nem sempre abdicar de algo é fácil e indolor.

Essa é minha vida, esse é o meu mundo… Pelo menos pelos próximos meses.

3 Comentários

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  1. Douglas

    Boa história e continue seguindo em frente

    • Wisley Velasco

      Olá Douglas,
      Muito obrigado por seu comentário e visita.
      Com a graça Divina continuo seguindo em frente. O problema é que o blog anda meio abandonadinho. =)
      Um fraterno abraço!

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