O Tempo

· Mestrado, Portfólio, Sem. 2/2012
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Olho para o que ficou para trás e o tempo que já se passou e me assusto com a velocidade com que as coisas acontecem. A impressão que tenho é a de que pisquei os olhos e já estamos em outubro. Fito as lojas e já vejo os enfeites de natal e produtos alusivos a esta data e me pergunto: aonde eu estava que não vi este Tempo passar?

Tento olhar retrospectivamente e ver o que foi que fiz, se fui, efetivamente produtivo e se aproveitei bem o tempo que, não mais me permite piscar os olhos com tanta tranquilidade assim, pois, minha sensação é a de que, da próxima vez que piscá-los, já será o natal e, com uma piscadela a mais, será meu aniversário e lá se foi 2012. Chego a conclusão de que, embora tenha produzido algumas coisas, fico sempre com a impressão de que poderia ter feito mais.

Sabe, as minhas vontades são impotentes perante o que está por trás delas. Não posso destruir o Tempo, nem sua avidez transbordante. Essa é a angústia mais solitária de minha vontade. Estou sempre desejando que o dia tenha alguns segundos a mais para que eu possa fazer aquilo que queria e que não estava nos planos, procurando sempre entender que não sou senhor do Tempo, mas, do meu Tempo e deste, preciso cuidar muito bem. A propósito, por mais que se planeje um caminho, uma trajetória, há sempre algo que acontece e modifica a forma como o bendito Tempo é encarado.

Milésimos de segundos para um piloto de fórmula 1, para um velocista ou um nadador decidem suas vidas cravando no tempo a lembrança de que foram vencedores ou o primeiro dos últimos na chegada. Sim, por que para muitos, ser o segundo é ser sempre o primeiro dos últimos colocados. Essas pessoas planejam toda a sua vida, esportiva e profissional, para serem decididas em milésimos de segundos. Milésimos de segundos… Uma vida inteira arriscada a ir tudo por água abaixo por conta de milésimos de segundos.

Mais uma vez, volto os holofotes da reflexão para mim e coloco-me a pensar: nossa! será o Tempo tão cruel assim? A resposta que me vem à mente é a de que não. Nós é quem o tornamos cruel, fazemos com que ele se torne nosso próprio algoz. Mais! nos vemos no direito de atribuí-lo a culpa por nossos fracassos, pondo-nos a dizer, como uma pseudo justificativa ou um alento para o fracasso, algo como: “ah, se eu tivesse mais um pouco de tempo!” Meu irmão, a culpa é sua, não do tempo, acorde! Como diz o artista: “O tempo não pára… Não pára, não, não pára“. É verdade, o Tempo não é culpado de nada, muito pelo contrário, há quem diga que ele cura tudo e resolve muitas coisas. É muito comum ouvirmos “nada como um dia após o outro”, num alento heroico quando nada mais é possível fazer.

Mas, por que cargas d’água estou falando do Tempo? Boa pergunta, por quê? Por que tenho vinte e quatro meses para cumprir minha trajetória, destes, dez já se foram e me angustia saber que as minhas vontades não se sobrepõem ao famigerado Tempo e que não posso torná-lo meu algoz. Não dependo de milésimos de segundos como alguns, mas, a cada dia que passa, mais me assusto com o final apontando na próxima volta do ponteiro.

Então… Queria muito falar de outras coisas hoje, gostaria de falar das disciplinas que estou cursando, das produtivas discussões que participo, mesmo não abrindo a boca, dos vários post’s produzidos em meu blog, fruto dos insights que tenho durante as aulas, como as de Sistemas de Informação em Saúde, de como tem sido bom exercitar minha escrita, olhar para um texto e não lê-lo como um todo, um grande bloco de parágrafos, vírgulas e pontos, mas, olhar para cada palavra, ali inserida, como uma rica fonte de sentidos e significados que pode mudar toda a nossa concepção e os rumos da leitura que outrora havíamos dado. Créditos ao Professor Estellita.

Gostaria de dizer como está sendo bom a disciplina de Seminários II. Pude ver e comprovar como na casa do ferreiro o espeto é realmente de pau, porquanto o texto que escrevemos, nunca está bom o suficiente e ele sempre pode melhorar. Gostaria de dizer que aprendi, ao longo destes dez meses o quanto sou sisudo em minha redação. Sim! sisudo, disseram-me isso! Ouvi que preciso aprender a escrever com sensatez, seriedade e prudência sem ser chato. Será que consigo? Vou tentar!

Gostaria de dizer, ainda, (gente esse é o último, o tempo está acabando) como tem repercutido o mestrado em minha vida, além dos limites da Fiocruz, e o quanto gostaria de aproveitar este meu tempo no Rio de Janeiro para fazer um monte de coisas, mas que, o tal do Tempo jamais me permitiria tais regalias. Não posso esquecer! Além do trabalho que aprovamos para o ENANCIB, fruto de uma belíssima assembleia ao final da disciplina de Fundamentos da Saúde, Ciência e Tecnologia, fui convidado a ministrar um curso, neste mesmo evento, sobre o Mendeley. “Calma Tempo, já estou indo…

Enfim, espero fazer do meu tempo o melhor de todos, espero ter sabedoria para administrá-lo e fazê-lo trabalhar para mim, espero não ficar dependente ou refém dele e que ele seja meu parceiro. Entretanto, se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer, o que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber. Pois, pode até parecer fraqueza, que seja então, todavia, a alegria que me dá, isso vai sem eu dizer.

Canções citadas no Post

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