Indicadores de Saúde, suas classificações e formas de apresentação.

· Mestrado, WisleyVelasco
Autores

Introdução

É interessante termos em mente que já foi, é passado, o tempo em que políticos e administradores públicos podiam alardear suas realizações sem que se pudesse aferir o impacto que haviam causado às coletividades que governavam. Os indicadores, particularmente os sociais, ficavam guardados pelos e para os especialistas. No caso, os temíveis estatísticos e os enigmáticos matemáticos.

Acredito que a situação vem mudando e hoje é quase obrigatória a referencia a indicadores de situação, de desempenho e de resultados para se poder propagandear qualquer programa ou atividade pública efetivada. O público qualificado e os analistas querem saber, cada vez mais, quais os efeitos da gestão sob múltiplos enfoques e abordagens, mais além da mera comparação com o que foi feito antes. Assiste-se à emergência da cultura dos indicadores, das avaliações permanentes, sistemáticas e consistentes. Da familiaridade com as bases quantitativas para se alcançar conclusões qualitativas.

E é neste aspecto que os indicadores conseguiram alcançar lugar de destaque no cenário das análises, como forte instrumento de aferição de: situações, condicionantes, determinantes, desempenho e avaliação da realidade social. Realidade social explicitamente empregada aqui, pois é esta com a que militamos: a saúde pública no Brasil.

Vale destacar, antes de caracterizarmos, propriamente as diferenças de se computar um indicador ou, como queiram, as diferenças em suas formas de apresentação, apresentar uma definição simples, porém esclarecedora do que vem a ser um Indicador.

Dito isso e entendo que há a necessidade de organizar os indicadores em suas respectivas classes, categorizado-os em duas, quais sejam, Indicadores Econômicos e Indicadores Sociais. Não me prenderei aos Econômicos, porquanto não é foco deste assunto. Contudo, uma definição comum de ambos é que eles são grandezas, cifras, números, expressos em valores numéricos, cuja principal finalidade é objetivar a visão de mundo que podemos ter de uma realidade empírica referida, permitindo-nos, ainda, acompanhar, monitorar, avaliar e efetuar comparações ao longo do tempo.

Na sequência desta ideia, os Indicadores Sociais são utilizados para quantificar ou operacionalizar um conceito social abstrato para informar algo sobre um aspecto da realidade social ou sobre mudanças que estão se processando na mesma. Sua diferença dos indicadores econômicos se dá na relativa facilidade de mensuração, pois, o Indicador Social, como dito, é uma abstração e objetivação de determinados aspectos da realidade social o qual reside uma intrínseca dependência do observador, desta realidade, diante do que foi definido a ser observado.

Para darmos “gosto” aos aspectos que foram quantificados da realidade, dando-lhes uma carga de significação, nos valeremos de alguns tipos e formas de cálculos, quais sejam, as taxas, proporções e as razões. Obviamente, há alguns outros tipos de cálculos de indicadores, como os índices, entretanto, nos atentaremos a estes, apenas.

Taxas

 

O conceito de taxa está associado com a variação de um fenômeno por unidade de tempo, ou de uma outra variável qualquer. Ela é a expressão da velocidade média com que ocorre o fenômeno de interesse, podendo ser negativa ou positiva. Um exemplo de taxa negativa seria quando a Taxa de Crescimento Geométrico de um determinado município onde, ao longo do tempo, levando-se em consideração os nascimentos, os óbitos e os fluxos migratórios, sua população está tendendo a diminuir. Esta diminuição é caracterizada como um valor negativo na expressão do cálculo matemático.

Para a epidemiologia, o interesse maior neste tipo de indicador encontra-se nas taxas que expressem a variação do número de casos de uma doença por unidade de tempo e da população ao risco de adoecimento no instante t (onde t é o tempo em questão) simultaneamente, denominadas taxas relativas.

A taxa pode, ainda, pressupor um risco que, determinado grupo populacional, exposto a um determinado fator, em um local específico no instante t, tem de ser acometido por este fator, ora determinado. Dito de outra forma, é o risco que as pessoas têm de adoecer ou morrer, levando-se em consideração a frequência com que a doença ou sua causa foi encontrada na população estudada. Como exemplo prático disto tem-se a Taxa de Mortalidade Infantil, que é a expressão do risco que uma criança tem de morrer em seu primeiro ano de vida.

Proporções

 

Proporções são indicadores relativamente mais simples de serem consultados. Esta relativa facilidade repousa no fato de não haver necessidade de percorrer por outras bases de dados, em busca de fontes, para a sua computação. Todas as suas variáveis encontram-se dentro, e/ou processadas, de uma mesma base de dados.

Em termos teóricos significa o quanto do todo – conjunto total de registros em um determinado período – aquela parcela estudada representa. Normalmente é expressa em porcentagem. Em termos práticos e levando se em conta como exemplo a Mortalidade Proporcional Segundo Causas, mede a proporção de óbitos por uma determinada causa, ou grupo de causas, em relação ao total de óbitos.

Tanto a mortalidade, como os indicadores que se valem deste tipo de apresentação, são importantes, pois, indicam as causas que mais frequentes são, em relação ao conjunto total das observações (ocorrências e registros). Pode ser utilizado no delineamento de prioridades na área da saúde e é muito útil quando não se dispõe de estimativas populacionais.

Razão

Este tipo de medida expressa a relação entre duas magnitudes da mesma dimensão e natureza, em que o numerador corresponde a uma categoria que exclui o denominador. É importante ressaltar que não se faz razão de magnitudes (coisas) que são diferentes entre si. É preciso que estas sejam do mesmo tipo de medida.

Por exemplo, utilizando números absolutos, a mais utilizada é a razão de sexos: as ocorrências em indivíduos de um sexo divididas pelas ocorrências no sexo oposto. Colocando a maior quantia no numerador, o resultado expressa quantas vezes a mais ocorre o evento nos indivíduos do numerador com respeito aos indivíduos do denominador. Assim, uma razão de homens para mulheres de 2 para 1 (2:1) na notificação de casos de AIDS em determinado ano e local, expressa que a notificação de indivíduos do sexo masculino é o dobro com respeito ao sexo feminino.

Distribuição de frequências

 

As distribuições de frequências são técnicas estatísticas empregadas na apresentação de tabelas com grande número de dados que não oferecem ao leitor uma visão rápida e global do fenômeno. Bastante utilizado na composição de legendas de mapas com informações georreferenciadas para definir a classificação e enquadramento de determinado valor da variável analisada em um range específico de valores. Dentre alguns tipos de distribuições de frequências utilizadas, darei destaque, neste momento, para duas, quais sejam, quantis e passos iguais.

Estas duas técnicas, quando utilizadas para produzir uma representação gráfica da distribuição de uma determinada variável, produzem efeitos e impressões que modificam completamente a forma de analisar a figura gerada pelo mapa, sendo, portanto, muito importante ter critérios no momento de seu emprego e cuidado no momento da análise ao se valer da legenda composta pelas classes de valores produzidas por cada uma das técnicas citadas.

Quantil

 

Nesta técnica, cada classe deve possuir o mesmo número de elementos. A partir da definição do número de classes, os intervalos são estipulados definindo, o número de elementos de cada classe, obtido através da divisão entre o número total de elementos e número de classes e, posteriormente, ordenando os elementos pelo atributo a ser classificado.

A motivação para este método é que o primeiro quartil deve dividir os dados entre o quarto inferior e os três quartos superiores. Idealmente, isso significaria 2,5 da amostra estão abaixo do primeiro quartil e 7,5 são superiores, neste caso significa que um terço da amostra de dados está “dividida em duas”, tornando a terceira parte da amostra com o primeiro e segundo quartos.

Passos Iguais

 

Nesta técnica, cada intervalo contém aproximadamente o mesmo número de registros. Se o número de registros não for igualmente divisível pelo número de intervalos, o algoritmo utilizado coloca o resto dos registros nos intervalos mais adequados.

Neste tipo, divide-se o maior valor da tabela que deu origem ao mapa pelo número de classes selecionadas. Em síntese, o valor da primeira classe corresponde ao menor valor da tabela e o valor da última corresponde ao maior. Desta forma, faz-se a distribuição dos valores pelas demais classes em intervalos, aproximadamente, iguais, surgindo assim o nome “passos iguais” ou, dependendo do software de SIG utilizado, “classes de intervalos iguais” e ainda, “Contagem Igual”.

Por exemplo, suponhamos que seja “100” o menor valor de uma dada tabela, e que “55.000” seja o seu maior valor. Suponhamos, ainda, que o mapa tenha sido construído com 5 classes de valor. Neste caso, a primeira classe recebeu o valor “100”, a quinta e última classe o valor “55.000”, e o algoritmo distribuiu os valores em intervalos aproximadamente iguais pelas segunda, terceira e quarta classes.

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