Será mesmo que eu, você, nós, somos insubstituíveis???

· WisleyVelasco
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Aquilo que fazemos é apenas uma gota no oceano. Mas, se não o fazemos, o oceano ficaria menor em virtude dessa gota faltante”.

por: Madre Teresa de Calcutá

 

Após a recomendada “reflexão”, penso que, com exceção de JESUS, BUDHA, ALAH e outros, não se trata se alguém é insubstituível ou não, mas sim, quaisquer líderes, sejam eles de que espécie for, deverão ser CONTINUADORES de uma linha de pensamento e/ou atividades que mudam ou mudaram o curso de um setor, instituição, comunidade ou da humanidade como um todo. O difícil é encontrar/descobrir/valorizar/aceitar ou seguir o “SUBSTITUTO” e este saber construir/capacitar um ou mais que o venham, inexoravelmente, a substituí-lo.

Pois aprendi, nestes quase seis meses no Rio de Janeiro, cursando o mestrado, numa linha bem filosófica do pensamento, que buscar o conhecimento verdadeiro, prático, sustentável e útil, deve passar pela quebra do paradigma da disseminação e do compartilhamento que invariavelmente gera discórdia, apego e intolerância pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões.

Será mesmo que somos substituível?

“Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de executivos. Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: “ninguém é insubstituível!”.

A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os executivos se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.

De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:

– Alguma pergunta?

– Tenho sim. E Beethoven?

– Como? O encara o gestor confuso.

– O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?

SILÊNCIO…” (Cri, cri, cri, cri!!!. Ouviam-se grilos neste momento.)

Eu li essa estória esses dias e achei muito pertinente falar sobre isso.  Afinal, as instituições (não sei as públicas, pois, tirando a própria escassez, não há muitos outros motivos pra reter funcionários) falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.

Quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico (até hoje o Flamengo está órfão de um Zico e sendo vascaíno, sou obrigado a falar dele.  )?

Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostavam e o que sabiam fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.

Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações e/ou instituições, governadores, prefeito, enfim, quem de fato e de direito, detém uma posição de comando, reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar seus ‘gaps‘.

Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico e Elvis paranoico. O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.

Cabe aos líderes mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Se seu gerente/coordenador e até mesmo, por que não, o professor, ainda está focado em “melhorar as fraquezas” de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos.

Me lembro vagamente, por ainda muito novo à época, quando o Zacarias dos Trapalhões morreu, ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: “Estamos todos muito tristes com a ‘partida’ de nosso irmão Zacarias e hoje, para substituí-lo, chamamos: NINGUÉM, pois nosso Zaca é insubstituível

De fato, o que importa não é a pessoa, enquanto matéria, isso sim, pode ser trocado, seu lugar, sua cadeira, estas sim, podem receber outra pessoa (matéria), mas, o ser Humano não, este, enquanto detentor de vida, espírito e alma, que tem paixões, medos, incertezas e inseguranças, porém, se dedica, empenha-se, faz o seu melhor e tenta, não mudar o mundo, por que isto seria utopia, aliás, ouvi esses dias na própria Fiocruz que é até bom termos um pouco de utopia, mas, tenta mudar o seu ambiente, aquilo que está em sua volta e alcançável por suas ações. Esse sim é insubstituível!

Portanto nunca esqueça: Você e eu, somos um talento único. Com toda certeza ninguém nos substituirá! Não enquanto Seres memoráveis.

Como diz um grande colega, amigo, parceiro, mentor e mestre, o qual sou muito grato por me motivar a buscar o topo, Doutor Gélcio Sisteroli de Carvalho, médico epidemiologista e para mim, um grande filósofo, em algumas de suas exposições, as quais tive a imensa satisfação de vê-lo da plateia, sempre dizia no final de suas aulas sobre Tecnologia da Informação em Saúde, com um ar paternal, afável e com o brilho nos olhos de quem profere pela milésima vez a mesma palestra como se fosse a primeira, indagava:

“Sabe onde estão as maiores potencialidades da Terra?

– Não estão nos EUA, no Japão, Alemanha, na China ou em qualquer país emergente no planeta, não, não estão lá.

– As maiores potencialidades da Terra estão no cemitério!”

Achava engraçado como as pessoas olhavam com admiração e um certo espanto, pois, tudo que diz respeito à morte, provoca estas sensações, mas, ele brilhantemente continuava.

“É no cemitério que encontram-se os quadros que nunca foram pintados, os artistas que nunca representaram, os jogadores que nunca atuaram, os engenheiros que nunca criaram e quiçá, os mestres que nunca ensinaram.”

Preciso dizer mais alguma coisa? Como diz o dito popular, “Para bom entendedor um pingo é letra.” Por isso, ratifico e saliento, poderá haver dias difíceis, mas, não me permitirei deixar que o meu potencial vá para o cemitério sem que ele tenha produzido e deixado bons frutos, por que, o que melhora o mundo são os exemplos, e não as opiniões (Paulo Coelho). Deus nos fez para chegar ao topo e é lá que iremos nos encontrar.

Encerro esta elucubração, meio devaneada, com um pensamento que não sei qual é o autor, porém muito interessante.

“Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso. O que eu faço é uma gota no meio de um oceano, mas, sem ela, o oceano seria menor.”

Autor Desconhecido.

por: Wisley Velasco

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