Aplicações do SIG na Vigilância em Saúde

· Geotecnologias
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            O termo SIG vem da tradução do inglês de Geographical Information Systems ou Geographic Informations Systems (GIS), Sistemas de Informação Geográfica. Na definição de Burrough e McDonnel, dois estudiosos da área, um SIG “é um poderoso conjunto de ferramentas para coleta, armazenamento, recuperação, transformação e visualização de dados espaciais do mundo real para um conjunto de propósitos específicos“.

          Os campos de aplicação dos Sistemas de Informação Geográfica, por serem muito versáteis, são muito vastos, podendo-se utilizar na maioria das atividades com uma componente espacial, da cartografia a estudos de impacto ambiental ou de prospecção de recursos ao marketing, constituindo o que poderá designar de Sistemas Espaciais de Apoio à Decisão. A profunda revolução que provocaram as novas tecnologias afetou decisivamente a evolução da análise espacial, principalmente no setor saúde.

          A associação da Medicina com a Geografia é bastante antiga, bem como o ato de explorar o potencial das informações veiculadas pelos mapas em um processo de busca do entendimento do dinamismo espacial das doenças.

          O Geoprocessamento em Saúde é a disciplina que estuda a geografia das doenças; isto é, a patologia à luz dos conhecimentos geográficos. Segundo RIBEIRO (1988), poucos foram os estudiosos dos séculos XVIII e XIX que se preocuparam em relacionar as doenças aos aspectos geográficos. Merecem destaque, no entanto, Sorre e Humboldt, que dedicaram parte de suas obras a comentar tal relação.

          SORRE (1951) considera o Geoprocessamento em Saúde como uma disciplina científica, quando discute acerca do mesmo enquanto parte da Geografia Humana. SORRE (1951) observa que há uma relação entre as doenças e as características geográficas, físicas e biológicas do lugar onde se encontram, mostrando-nos aí o objeto de estudo do Geoprocessamento em Saúde. SORRE (1951) também apontou para a importância da cartografia, citando a superposição de mapas, como por exemplo, de dados climáticos e das manifestações endêmicas da dengue, chamando a atenção para a necessidade de maior interação entre a cartografia, a medicina e a biologia.

          Além destes, vale lembrar John Snow, que teve a percepção de relacionar a epidemia de cólera ao escoamento superficial das águas contaminadas. (SNOW, 1967).

          Nas produções mais recentes do conhecimento acerca do Geoprocessamento em Saúde RIBEIRO (2000) cita MEADE, FLORIN & GESLER (1988), que identificaram algumas das áreas de pesquisa, como por exemplo, as causas da distribuição espacial de um fenômeno, onde a cartografia fornece o instrumental mais importante e os mapas constituem o primeiro processo acurado de análise, tendo-se em vista que os mapas participam do processo de conhecimento e compreensão da realidade, como também afirma MARTINELLI (1991).

          O mapeamento das doenças é fundamental quando se considera a necessidade de vigilância diante de uma epidemia, como a da dengue, por exemplo, pois o conhecimento do padrão geográfico das doenças pode fornecer informações sobre seus tipos, subtipos e etiologia de determinados eventos mórbidos. Muitas doenças possuem um padrão geográfico bem definido. MACGLASHAN (1972), no entanto, se pergunta por que o Geoprocessamento em Saúde se desenvolveu apenas tão recentemente, e responde isso com a seguinte afirmação: “Eu acredito que grande parte da resposta esteja na tecnologia” (MACGLASHAN 1972, p.4), explicando que a observação da influência das estações dependia da invenção do termômetro e as propriedades da água somente puderam ser estudadas geograficamente quando as técnicas de análises químicas foram descobertas. As informações demográficas e os parâmetros médicos de diagnósticos foram fundamentais para entender as variações espaciais das doenças.

          RIBEIRO (2000) aponta para o fato de que as condições de saúde de uma população passam a ser consideradas como fatores importantes de sua qualidade de vida: “a maior parte dos países do mundo atravessava, na década de 1970, uma crise financeira e de paradigmas do setor saúde, as propostas de alterações nas suas políticas vinham enfatizando a atenção primária, o desenvolvimento comunitário e a medicina preventiva, (…) o Geoprocessamento em Saúde, na medida em que fornece uma visão mais abrangente do que a sintomatologia, pode ter um papel importante, juntamente com outras ciências na concepção e no desenvolvimento de políticas de saúde pública, tanto preventivas quanto corretivas.” (RIBEIRO 2000, p.2).

          Fica claro então que os dados de saúde e doença têm dimensão espacial e podem ser expressos neste contexto da distribuição geográfica. Enquanto isso, as séries estatísticas contribuem com a dimensão temporal.

          É nesse momento então que se faz presente a contribuição da ciência e da tecnologia computacionais, que virtualmente eliminaram as restrições para a produção de mapas com respeito a custo e tempo. Vários tipos de mapas podem ser produzidos, em diferentes escalas, e a facilidade para superposição de informações permite ao usuário escolher o plano de informação mais adequado ou desejado, de uma forma bastante rápida e interativa. A produção de mapas por computador ainda apresenta a vantagem, importante para o epidemiologista, de se obter a atualização visual dos casos em poucos minutos ou segundos. Portanto, os mapas computadorizados podem ser utilizados para apresentar a informação no curso do estudo de uma doença e não somente para registrar os resultados após a conclusão do estudo.

          Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) surgem neste contexto como uma ferramenta poderosa no auxílio aos profissionais e estudiosos das áreas de saúde pública. Nos SIGs a distribuição espacial está assegurada pela base de dados gráficos, visto que estes sistemas permitem a construção e/ou utilização de bancos de dados onde se pode, finalmente, determinar as associações entre as ocorrências de doenças e o meio ambiente físico e antrópico.

          Finalmente, podemos dizer que existem inúmeros recursos e estratégias possíveis de serem utilizados na tentativa de solucionar algumas das questões relacionadas ao dilema urbanização versus qualidade de vida, saúde humana e do meio ambiente, desenvolvimento econômico e desenvolvimento sustentável. As geotecnologias estão entre tais recursos e estratégias, figurando como um instrumento de auxílio, poderoso e eficiente, junto aos órgãos competentes, gerentes e gestores.

por: Wisley Velasco, Aluno de Mestrado do Programa de Pós-graduação em Informação e Comunicação em Saúde do ICICT/Fiocruz.

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